Pular para o conteúdo

Cultura Crowd: a sociedade conectada em rede

Por Tai Lacerda3 min de leitura

Você já deve ter esbarrado nessa palavra mais vezes do que consegue contar. Para quem está antenado nos movimentos que vêm surgindo nos últimos tempos, é como se sempre que a gente virasse a esquina, um “crowd” aparecesse em algum lugar. Crowdfunding, crowdlearning, crowdsourcing… parece até que tudo está virando “crowd”.

Crowd o quê?

Há quem pense que é uma tendência do momento, ou alguma linguagem que essa geração maluca inventou para “dar uma cara nova” para as coisas. Mas é muito mais do que isso. É muito maior do que isso.

A palavra “crowd” pode significar muita coisa: multidão, público, plateia ou então — quando usado como verbo no inglês — pode ganhar o sentido de “ocupar”. Enfim, são muitas definições. Mas, de um jeito ou de outro, podemos dizer que “crowd” é isso: um monte de pessoas juntas unindo forças para ocupar seu próprio lugar.

Só que, antes que você pense que essa definição se limita apenas a espaços físicos, a gente vai te parar por aí. Porque ser “crowd” também é estar presente em lugares que seus pés ainda não podem alcançar.

Mas isso não é novidade para nenhum de nós. Afinal, as pessoas se unem para fazer coisas juntas desde que a humanidade é humanidade. O que mudou — e muito — nos últimos tempos foi o escopo e a escala dessa colaboração.

E a internet foi o que permitiu que este cenário fosse possível.

Somos uma nova sociedade conectada em rede.

A definição e o significado do que entendemos como comunidade foi reinventada.

Estamos resgatando nosso poder de construir novos mundos e novas realidades a partir da inteligência coletiva. E descobrimos uma maneira de usar esse poder para colaborar na construção de novas comunidades.

Por todos os cantos do mundo, pessoas estão colaborando, fazendo trocas, compartilhando recursos, serviços, e até dinheiro.

É isso mesmo que você leu: dinheiro.

Falando assim parece impossível, mas é exatamente o que está acontecendo por aí. Pessoas estão se unindo por meio de financiamentos coletivos para investir em projetos e iniciativas independentes que conversam com seus interesses e propósitos.

Aos poucos, está se tornando cada vez mais comum ver desconhecidos compartilhando recursos entre si. O que começou com aluguéis de carros, acabou com estranhos se hospedando em nossos sofás.

É o renascimento das redes pessoais.

Saímos das telas dos celulares para criar novas realidades. Novas formas de pensar, produzir e consumir, cada vez mais voltadas para as pessoas, o coletivo, a natureza e o futuro.

E isso tudo é mais do que somente uma corrente de pensamento.

É uma corrente de pessoas.

Uma conexão de força e movimento, que desperta em nós um novo senso de coletividade e pertencimento, nos fazendo caminhar da cultura do “eu” para a cultura do “nós”.

Ser “crowd” se tornou mais do que fazer parte de algo. É estar conectado a um todo.

Você, seu vizinho, a moça que cuida do seu cachorro, o intercambista brasileiro que está fazendo um mochilão no Chile, e o garoto de doze anos que construiu um robô de papelão — todos nós — somos essa corrente.

Todos somos parte de uma mesma conexão que está sendo redescoberta.

Somos o coletivo tentando reencontrar a si mesmo. E nada pode ser tão transformador quanto uma multidão reconhecendo seu poder.

Continue por e-mail

Receba os próximos artigos sobre habilidades e trabalho, com dados e a opinião da Descola.

Em resumo

  • Cultura crowd é um monte de pessoas unindo forças para ocupar seu próprio lugar, inclusive em espaços que vão além do físico.
  • A colaboração sempre existiu, mas a internet mudou o escopo e a escala dela, viabilizando financiamento coletivo e compartilhamento.
  • A cultura crowd desperta um novo senso de coletividade e pertencimento, levando a sociedade da cultura do eu para a cultura do nós.

Escrito pela Descola

A Descola é uma escola de cursos online que cria experiências de aprendizagem para transformar as pessoas ao longo da vida. Selecionamos temas e professores e construímos conteúdos para o desenvolvimento de power skills.